Toda a equipe editorial foi demitida do canal Loading Esports do Brasil – The Esports Observer


Depois de menos de uma semana no ar, a emissora brasileira de TV Carregando, dedicada à cultura pop e aos esportes eletrônicos, perdeu todo o departamento de jornalismo esportivo, incluindo Barbara Gutierrez e Chandy Teixeira, âncoras de seu programa diário de esportes eletrônicos Metagaming. O Esports Observer conversou com fontes familiarizadas com a história, que falaram sob condição de anonimato sobre os bastidores do canal.

Como TEO aprendeu algumas semanas atrás, o canal de TV foi comprado pelo grupo empresarial Kalunga em um leilão público. O grupo então contratou jornalistas de esportes locais conhecidos para criar um programa diário de notícias de esportes, mas foi aí que os problemas começaram: embora eles estivessem corretamente registrados como funcionários, seu contrato de trabalho nunca chegou e os benefícios acordados nunca foram concedidos, como saúde seguro.

Além disso, a estrutura adquirida pelo Loading estava desatualizada, pois o prédio e os equipamentos eram propriedade da filial brasileira da MTV na década de 2000. Fontes dizem que foi extremamente desafiador produzir o material para ir ao ar, tentar entregar um produto 2020 com tecnologia de 20 anos atrás e não depender nem mesmo de software básico para produção de TV, tudo isso enfrentando a pressão da gestão mesmo com o falta de carteira de trabalho formal. Alegadamente, alguns funcionários choraram antes da exibição do primeiro episódio de Metagaming na segunda-feira.

Mas a equipe atingiu seu limite quando houve reclamações sobre alguns relatórios veiculados em Metagaming. Como a equipe era composta por jornalistas experientes, estava criando um mix de conteúdo para o programa que não era apenas uma notícia positiva. Na segunda-feira, durante o episódio de estreia do programa, Chandy Teixeira conduziu uma reportagem investigativa sobre um possível esquema de fraude relacionado a uma campanha de arrecadação de fundos liderada por um jogador no Contração muscular. Fontes afirmam que a direção do Loading não gostou da reportagem, afirmando que o objetivo do canal era ser um lugar alegre, sem assuntos polêmicos.

Mesmo assim, na terça-feira, no último Metagaming a ser transmitido, um relatório com foco em Vivo Keyd sendo deixado de fora do brasileiro Liga dos lendários Campeonato (CBLoL) a franquia fazia parte do programa. A reportagem não foi muito positiva para a Riot Games, devido ao mau momento de anúncio da empresa de telecomunicações Oi, concorrente direta da Vivo, como patrocinadora foi citada – uma história coberta pela primeira vez pelo The Esports Observer.

Esta foi a gota d’água para a administração do Loading, que demitiu o editor-chefe do esports, Vicenzzo Mandetta, na manhã seguinte, segundo fontes. Mais uma vez os jornalistas foram obrigados a produzir apenas notícias positivas, seguindo uma “agenda positiva” do canal, e proibindo abordagens de matérias polêmicas ou mesmo reportagens que denunciassem e discutissem sexismo ou discriminação nos esportes eletrônicos.

Depois disso, o Metagaming A tripulação, alegando ter sido contratada para fazer jornalismo adequado e estar sendo censurada, fez uma lista de demandas à administração, solicitando liberdade de expressão e para produzir suas reportagens com a seriedade que as situações exigissem. É justo apontar que Metagaming não foi um programa cheio de notícias negativas, muito pelo contrário, foi principalmente positivo, mas as poucas reportagens consideradas negativas foram profundamente sentidas pela gerência do Loading.

A lista de demandas foi rejeitada pela direção do Loading, supostamente sem qualquer consideração ou negociação, na quinta-feira. Já estava planejado que Metagaming não iria ao ar devido ao Carregando Liga de Esportes (LLE), um Liga dos lendários (Ri muito) torneio organizado pelo canal, e naquela noite toda a equipe decidiu renunciar na manhã seguinte. Mas quando eles chegaram ao escritório na sexta-feira, Loading virou a mesa e demitiu todos os 12 Metagaming membros do time.

As informações fornecidas pelas fontes estão de acordo com a declaração oficial emitida pelo Loading to The Esports Observer:

“Devido ao desalinhamento entre o posicionamento do Loading, focado em entretenimento, e a equipe editorial do programa Metagaming, decidimos reestruturar a atração.

É importante notar que o núcleo do Loading é o entretenimento e uma agenda positiva. Assim, buscaremos entregar conteúdos que valorizem ainda mais o Esports, mas com uma linha editorial voltada para o entretenimento.

Agradecemos publicamente a toda a equipe Metagaming que compartilhou conosco os últimos meses, incluindo a incrível estreia. Seguimos caminhos diferentes, mas com a certeza da competência e sucesso para todos vocês. Obrigado por fazer parte da nossa história.

Fontes dizem que o Loading não busca o melhor para o cenário de e-sports, mas simplesmente busca usar a comunidade para gerar audiência e lucrar com isso. As fontes informaram ainda que o contrato de trabalho lhes foi finalmente apresentado naquele momento, juntamente com outro documento com os termos de demissão. A equipe então se recusou a assinar qualquer coisa.

Mais tarde, o primeiro Metagaming A equipe passou a postar no Twitter informando a comunidade que estava fora do canal e fazendo uma referência clara à censura no Brasil durante o regime militar autoritário de 1964-1985, anexando em suas postagens receitas como as utilizadas pelos censores do regime para cobrir artigos não aprovados.

A comunidade de eSports local está com os jornalistas, expressando seu pesar nas redes sociais pelo que aconteceu. Até os rodízios destacaram-se pelo Loading em seu torneio Diego “Toboco” Pereira e Ravena Dutra, ambos amplamente conhecidos e populares entre os Ri muito fãs, anunciaram que em solidariedade aos jornalistas não estariam mais lançando os jogos LLE.