UBS está em negociações para comprar o maior gestor de ativos do Brasil

(Bloomberg) – O UBS Group AG discute a compra do controle acionário da BB DTVM, concorrendo com a Franklin Templeton e a BlackRock Inc. como potencial adquirente da maior gestora de recursos do Brasil, segundo pessoas a par do assunto.

As negociações para a empresa, que tem 1,2 trilhão de reais (US $ 217 bilhões) em ativos sob gestão, são preliminares e nenhum acordo foi alcançado, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as negociações são privadas.

O processo de venda provavelmente será atrasado porque o estatal Banco do Brasil SA, o controlador da empresa, está em processo de substituição de seu diretor-presidente, disseram as fontes. Fausto de Andrade Ribeiro foi indicado para assumir o lugar de André Brandão, que priorizou a venda. Mas Brandão desistiu na semana passada depois de entrar em confronto com o presidente Jair Bolsonaro por causa de medidas de austeridade.

Os investidores agora questionam se Ribeiro, que está no Banco do Brasil há mais de 20 anos, dará continuidade à agenda de venda de ativos de Brandão.

A troca de CEO “pode criar incerteza em torno da estratégia do banco para entregar melhorias de eficiência”, escreveram analistas do Goldman Sachs Group Inc. liderados por Tito Labarta em uma nota aos clientes na semana passada.

UBS, Franklin Templeton e BlackRock não quiseram comentar, assim como o Banco do Brasil.

A Rothschild & Cia está assessorando o Banco do Brasil em um possível negócio, que daria ao comprador o controle sobre a BB DTVM, segundo as pessoas, que disseram que várias estruturas diferentes de negócios estão sendo avaliadas. O negócio de gestão de fundos gerou mais de 6,85 bilhões de reais em receitas no ano passado para o Banco do Brasil, com sede em Brasília, um aumento de 7,2% em relação a 2019. Rothschild não quis comentar.

Estratégia do CEO

O UBS já possui uma joint venture com o Banco do Brasil para banco de investimento na América do Sul e negócios de corretagem no Brasil, bem como um acordo comercial com o Banco Patagonia SA na Argentina.

Descarregar uma parte do negócio de gestão de ativos faz parte de um esforço maior do Banco do Brasil para atingir níveis de lucratividade semelhantes aos que bancos não estatais divulgam regularmente no Brasil. O plano envolve a venda de ativos, afastando-se de empréstimos mais arriscados e fechando agências.

Mas isso colocou a empresa na mira do Bolsonaro. O presidente criticou a iniciativa anunciada pelo ex-CEO de fechar cerca de 200 filiais e eliminar mais de 5.000 funcionários.

As ações do Banco do Brasil caíram quase 27% em dólares neste ano, enquanto as do UBS subiram 14%.

Ribeiro, que possui pós-graduação em economia pela George Washington University, ingressou no Banco do Brasil em 1988, sendo responsável por negócios, incluindo canais de terceiros e operações na Espanha e no Marrocos.

“Fausto de Andrade Ribeiro é um candidato qualificado devido ao seu sólido histórico dentro do banco”, escreveram analistas do Citigroup Inc. liderados por Jorg Friedemann em um relatório. “Mesmo assim, a notícia reflete mal para o Banco do Brasil, embora já esperada, pois demonstra uma clara interferência política.”

(Atualizações com comparação de ações no 11º parágrafo.)

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