#Verificamos: É falso que o jornal americano ‘denunciou’ Doria por receber propina de Sinovac


Circula nas redes sociais que o jornal americano The Washington Post “denunciou” o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por supostamente receber propina da Sinovac, farmacêutica chinesa que desenvolve o Coronavac. Através deprojeto de verificação de notícias, Os usuários do Facebook solicitaram a análise desse material. Confira abaixo o trabalho de verificação do Lupa:

“Doria NEGADA pelo Washington Post por receber a PROPOSTA de Sinovac”
Título do vídeo publicado no YouTube que, até as 19h30 do dia 10 de dezembro de 2020, teve cerca de 15 mil visualizações

FALSO

As informações analisadas por Lupa isto é falso. Na verdade, o jornal americano The Washington Post publicou uma reportagem sobre casos de suborno envolvendo a farmacêutica Sinovac, intitulado “À medida que a China se aproxima de uma vacina contra o coronavírus, há uma nuvem de subornos sobre o farmacêutico Sinovac”. Porém, em nenhum momento se diz que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), recebeu propina da empresa.

O relatório cita o Brasil em apenas dois trechos. No terceiro parágrafo, o texto diz: “A Sinovac agora busca fornecer sua vacina contra o coronavírus para nações em desenvolvimento, do Brasil à Turquia e Indonésia. Embora a corrupção e a falta de transparência tenham punido por muito tempo a indústria farmacêutica, a reputação de uma única empresa farmacêutica no país raramente importou tanto para o resto do mundo. ”

No quinto parágrafo, diz-se: “A vacina Sinovac, Coronavac, pode ser adotada em vários países em desenvolvimento. Autoridades do Brasil e da Indonésia – os países mais populosos da América Latina e do Sudeste Asiático – dizem que o Coronavac pode ser aprovado nas próximas semanas. No Brasil, o governador de São Paulo, João Doria, disse que [a Coronavac] é a vacina mais segura que o país já testou ”. Esta é a única menção a Doria em todo o texto.

Além disso, o relatório usa uma foto de Doria segurando uma caixa de vacina como ilustração. A legenda da foto apenas descreve a cena: “O governador de São Paulo, João Doria, segura uma caixa de Coronavac, vacina em desenvolvimento pela Sinovac, em entrevista coletiva”.


“Eles compram países emergentes, segundo o Washington Post, e aplicam essa vacina na população antes mesmo de ser aplicada na população chinesa”.
Trecho de vídeo postado no YouTube que, até as 19h30 do dia 10 de dezembro de 2020, teve cerca de 15 mil visualizações

FALSO

As informações analisadas por Lupa não está presente no relatório do Washington Post. De acordo com o texto, entre 2002 e 2011, o CEO da Sinovac, Yin Weidong, pagou US $ 83.000 em subornos a Yin Hongzhang, funcionário público responsável por revisar e aprovar a produção de vacinas da empresa na China. Em 2016, ele admitiu ter pago aquele valor. O funcionário foi preso, mas o CEO continua no comando da empresa. Existem outros 20 funcionários públicos chineses que alegaram em tribunal ter recebido suborno da empresa. No entanto, no relatório, não há sequer uma menção ao pagamento de propinas a autoridades em países estrangeiros ou ao uso de populações estrangeiras como “cobaias”.

No dia 11 de junho, Doria anunciou que a Sinovac testaria sua vacina em desenvolvimento no Brasil, em parceria com o Instituto Butantan. Desde então, produtores de desinformação espalham a falsa notícia de que a China não testou a vacina em sua própria população e está usando os brasileiros como “cobaias”. A informação é falsa e já foi verificado por Lupa. As duas primeiras fases do teste do Coronavac foram feitas em voluntários chineses.

Este conteúdo também foi verificado pelo site Os fatos.

Nota: ‌ Este‌‌Relatório‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌project‌ ‌de‌ ‌verification‌ ‌de‌ ‌news‌‌ ‌Não‌ ‌Facebook.‌ ‌ Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto? ‌ ‌Enter‌ ‌em‌ ‌contact‌ ‌direct‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook.

Editado por: Marcela Duarte