#Verificar: Áudio com informações falsas sobre vacinas contra Covid-19 não foi gravado por especialista da Unicamp


Áudio circulou nas redes sociais, supostamente gravado pela professora Vera Lúcia Gil da Silva Lopes, geneticista da Unicamp. Na gravação, a mulher diz que várias vacinas em desenvolvimento contra a Covid-19, incluindo o Coronavac e a vacina Oxford, são “vacinas genéticas”, e podem “modificar o padrão genético de nossas células”. Por WhatsApp, leitores de Lupa sugeriu que esse conteúdo fosse analisado. Verifique o trabalho de verificação abaixo:

“Estou estudando muito essas vacinas e já contei para a Vivi. A vacina chinesa (…) é uma vacina genética. Estamos acostumados a uma vacina com um vírus vivo atenuado ou um vírus morto, que são as vacinas seguras … essa genética é com DNA recombinante, procure no Google ”
Áudio circulando no WhatsApp e falsamente atribuído à Dra. Vera Lúcia, geneticista da Unicamp

FALSO

As informações analisadas por Lupa isto é falso. A vacina Coronavac, fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac, está sendo desenvolvida em uma plataforma de vírus inativado, uma técnica tradicional de imunização – e, portanto, não é uma “vacina genética”. Esta informação pode ser verificada em documento produzido pelo Instituto Butantan, Parceiro da Sinovac em fase de testes no Brasil, na lista dos Vacinas Covid-19 em desenvolvimento pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e em pesquisa publicada no The Lancet sobre a primeira fase de testes em humanos desta imunização.

O uso de patógenos inativados (mortos) é uma das técnicas mais antigas na produção de imunizantes, amplamente utilizada contra várias doenças. Na produção dessas vacinas, o vírus é morto por meio de processos químicos. Quando introduzido no corpo, é capaz de provocar, no caso de produtos de sucesso, uma reação do sistema imunológico sem atacar as células. Esta é uma das técnicas de produção de vacinas mais antigas, e é usado em imunizadores amplamente usados contra HPV, poliomielite, tétano, hepatite A e B, por exemplo.

O texto que acompanha a gravação informa que o áudio foi feito pela Dra. Vera Lúcia Gil da Silva Lopes, professora do Departamento de Genética Médica e Medicina Genômica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Ainda, a universidade publicou uma nota em seu site negando essa informação não fifinal de novembro. “Esse áudio traz informações falsas sobre vacinas nunca ditas por essa professora. O mesmo áudio também foi transmitido, precedido de mensagem com o nome de outros pesquisadores ”, informou a Universidade.


“Estou estudando muito essas vacinas e já contei para a Vivi. (…) A vacina Oxford (…) são vacinas genéticas. Estamos acostumados a uma vacina com um vírus vivo atenuado ou um vírus morto, que são as vacinas seguras … essa genética é com DNA recombinante, procure no Google ”
Áudio circulando no WhatsApp e falsamente atribuído à Dra. Vera Lúcia, geneticista da Unicamp

FALSO

A vacina desenvolvida pela farmacêutica britânica AstraZeneca com a Oxford University, no Reino Unido, também não utiliza a técnica mencionada no áudio que circula pelo Whatsapp. De fato, é feito de um recombinante viral de outro vírus, adenovírus. Em sua primeira fase, o vírus é geneticamente modificado para se tornar não infeccioso, não podendo infectar um organismo. Em seguida, os pesquisadores inserem nesse vírus uma parte do coronavírus (também não infecciosa), a chamada proteína spike.

Em teoria, quando a vacina é aplicada, o sistema imunológico reconhece a proteína spike e desenvolve defesas contra esse vírus. Se uma pessoa for infectada com SARS-Cov-2 após ser vacinada, em teoria, o sistema imunológico será capaz de reconhecer o coronavírus como uma ameaça.


“Estou estudando muito essas vacinas e já contei para a Vivi. (…) A vacina Pfizer, americana patrocinada por Bill Gates, são vacinas genéticas. Estamos acostumados a uma vacina com um vírus vivo atenuado ou um vírus morto, que são as vacinas seguras … essa genética é com DNA recombinante, procure no Google ”
Áudio circulando no WhatsApp e falsamente atribuído à Dra. Vera Lúcia, geneticista da Unicamp

VERDADEIRO, MAS

Das três vacinas mencionadas no áudio, apenas a desenvolvida pelas empresas farmacêuticas Pfizer e BioNTech utiliza a técnica citada no áudio. Essa tecnologia é relativamente nova e se baseia na ideia de estimular o organismo a produzir a proteína do vírus. Iniciar, o chamado RNA mensageiro, ou mRNA, interage com as células humanas e permite que elas produzam proteínas específicas do patógeno que passam a ser reconhecidos pelo sistema imunológico.

No entanto, esta vacina não está sendo financiada por Bill Gates. Fundador da Microsoft financia um imunizador que está sendo desenvolvido pelo laboratório Moderna Therapeutics, também desenvolvido a partir do código genético do vírus.


“Outra desconfiança nossa, que é nosso maior medo, é que você mude o padrão genético de nossas células”
Áudio circulando no WhatsApp e falsamente atribuído à Dra. Vera Lúcia, geneticista da Unicamp

FALSO

Em Vacinas de plataforma de RNA eles não modificam o material genético do organismo. O material genético do vírus não interage com o ácido nucléico presente nas células infectadas e, portanto, não há risco de que imunizadores desse tipo modifiquem o DNA das pessoas.

Em setembro, o Lupa Conversei com o médico e professor do Departamento de Medicina da PUC Minas Gilmar Reis, que explicou que as vacinas genéticas não modificam o código genético das pessoas. “A manipulação genética seria pegar, por exemplo, o núcleo de uma célula e colocá-lo em outra. [Isso] não ocorre com as vacinas, pois atuam no sistema imunológico para prevenir ou retardar a chegada do vírus às células e, portanto, não provocam alterações no código genético das pessoas ”, disse. A verificação completa sobre este assunto você pode conferir clicando em aqui.

Esta ‌ verificação ‌ foi sugerida por leitores através do WhatsApp Lupa. Se você tiver alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco em +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés