Você sabe para onde os bilionários Lemann, Telles e Sicupira estão olhando agora? – Money Times

Empresas ligadas a Jorge Paulo Lemann (foto), Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira aumentam suas apostas em escritórios (Imagem: Bloomberg)

O trio de bilionários de 3G Capital e suas famílias estão aumentando suas apostas em propriedades no Brasil, em um momento em que a economia entra em colapso sob os efeitos da Covid-19.

As empresas ligadas a Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira aumentam suas apostas em escritórios, centros de conveniência e construção de apartamentos para aluguel de longa duração. O objetivo é aproveitar as oportunidades criadas pela pandemia em um país que lidera o mundo em mortes diárias pela doença.

“Os próximos 18 meses serão muito desafiadores para o setor de imóveis comerciais e este é o momento de fazer compras, porque os vendedores tendem a flexibilizar os preços”, disse Fabio Itikawa, CFO da São Carlos Empreendimentos e Participações (SCAR3), uma empresa criada pelos fundadores da 3G e agora propriedade de seus herdeiros.

O Brasil vive sua pior fase da pandemia, com mais de 340.000 mortes pela doença e recorde diário sendo quebrado no número de novos casos. As vacinas estão avançando lentamente, com apenas 2,9% de seus 212 milhões de habitantes totalmente imunizados, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A economia vive dificuldades, com setores de atividade fechados, aumento do desemprego e queda do crescimento.

São carlos
Morumbi Office Tower, no bairro Chácara Santo Antonio, em São Paulo (Imagem: Reprodução / Site)

Centros comerciais

A situação, porém, abriu possibilidades para a São Carlos, especializada na compra, reforma e revenda de escritórios.

Em fevereiro, a empresa anunciou a aquisição de três andares do Morumbi Office Tower, na Chácara Santo Antonio, em São Paulo, por R $ 44 milhões. A vendedora era uma família rica que enfrentava vaga e inquilinos insatisfeitos que pediam descontos no aluguel, disse Itikawa, sem identificar o proprietário.

A São Carlos também anunciou acordo para a compra de um shopping center na cidade de Cotia por R $ 33 milhões.

A estratégia deles é renovar os shopping centers de conveniência, atraindo lojistas como drogarias, bancos, supermercados e outras empresas de serviços essenciais que permanecem abertos durante o pior da pandemia, disse ele. Ao contrário dos centros comerciais, que foram encerrados nas fases mais agudas da pandemia, os centros comerciais têm estruturas ao ar livre e concentram os serviços essenciais. Em 2020, a São Carlos registrou aumento de 12% nas vendas, disse Itikawa.

A empresa tem cerca de R $ 700 milhões disponíveis para compras adicionais, incluindo caixa e dívidas, disse ele.

“Quando o mercado vai mal, você tem as melhores oportunidades”, disse Fabio Itikawa, diretor financeiro da São Carlos (Imagem: Gustavo Kahil / Money Times)

‘Melhores Oportunidades’

Os preços dos imóveis comerciais em São Paulo subiram 0,65% nos 12 meses encerrados em fevereiro, segundo o Índice FipeZap, ante inflação de 5,2% no mesmo período.

“Quando o mercado vai mal, você tem as melhores oportunidades”, disse Itikawa.

Lemann, Telles e Sicupira detêm uma fortuna combinada de US $ 44 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index. Eles são conhecidos mundialmente por algumas das maiores empresas do setor de consumo e têm participações em Anheuser-Busch InBev NV, a maior cervejaria do mundo, e na Restaurant Brands International, a empresa por trás da Burger King (BKBR3)

Pessoas ricas em todo o mundo aproveitaram a pandemia para comprar ativos imobiliários a preços mais baixos. Os bilionários irmãos Reuben compraram recentemente hotéis em Nova York e Veneza, enquanto a unidade de negócios imobiliários do homem mais rico da Tailândia, Charoen Sirivadhanabhakdi, disse que também planeja adquirir hotéis com dívidas vencidas no país, apostando na rápida retomada do turismo enquanto o Sudeste Asiático se reabre para visitantes estrangeiros.

Os ativos imobiliários dos fundadores do 3G vieram em parte de Lojas americanas (LAME4), o varejista brasileiro que eles possuem há mais de quatro décadas. A São Carlos foi originalmente criada para administrar lojas próprias antes de voltar seu foco para escritórios.

Apartamentos de aluguel

Eles também são compradores em outro recanto do mercado imobiliário brasileiro. Telles e um dos seis filhos de Lemann, Jorge Felipe Lemann, mais conhecido como Pipo, são sócios da JFL Holding, especializada na compra de terrenos para construção de prédios de apartamentos para alugar em bairros nobres de São Paulo.

“Começamos em 2015 e nosso plano era crescer por meio de projetos greenfield para ter mais controle sobre o preço do condomínio”, disse Carolina Burg, uma das fundadoras e sócia da JFL.

Mas depois que as recessões de 2015 e 2016 no Brasil criaram oportunidades de compra, a empresa mudou sua estratégia e acabou adquirindo alguns edifícios já construídos.

Os apartamentos alugados do JFL são mobiliados, oferecendo serviços como limpeza, manutenção e até café da manhã com aluguéis que variam de R $ 7.800 reais a R $ 53.000 por mês. Embora a pandemia tenha reduzido a demanda por executivos, que passaram a viajar menos, a empresa tem conseguido compensar com contratos mais longos de quem procura casas maiores, disse ela.

O JFL comprou recentemente dois imóveis em São Paulo, um nos Jardins, onde construirá dois prédios, e outro na Rua General Mena Barreto, próximo ao Parque do Ibirapuera. A empresa está negociando mais quatro prédios e tem entre R $ 600 milhões e R $ 1 bilhão para investir este ano, disse Burg.

O portfólio de imóveis do JFL movimentará cerca de R $ 2,5 bilhões quando todas as obras estiverem prontas, estimou.

“Há muito espaço para crescer, mas queremos buscar retornos atraentes”, disse Burg. “Precisamos ser cautelosos, porque com juros baixos há muito mais compradores competindo conosco no mercado imobiliário residencial e algumas coisas estão sendo vendidas a preços absurdos.”

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